Valuation: muito além de “saber quanto vale”
- Marcelo Fioravante

- 20 de jan.
- 3 min de leitura
Quando ouvimos falar em valuation, a associação imediata costuma ser a venda de uma empresa ou a avalição da empresa para a entrada de um investidor. De fato, essas são situações clássicas em que entender o valor de um negócio é fundamental. No entanto, o verdadeiro poder do valuation está em outro lugar: na gestão do negócio.
O que é Valuation?
Valuation é o processo de estimar, com base científica, o valor econômico de uma empresa. E, diferente do que muitos pensam, isso não se resume a multiplicar o faturamento ou o lucro por “X vezes”. O valuation moderno combina análise histórica, projeções futuras, entendimento do setor, estrutura de capital e risco do negócio. Entre os métodos mais utilizados estão os múltiplos de mercado, o valor patrimonial e, principalmente, o Fluxo de Caixa Descontado (FCD) — considerado o mais completo por especialistas como Assaf Neto e Damodaran.
Para que serve o Valuation?
Além de nortear decisões como compra, venda, fusão ou cisão de empresas, o valuation é uma ferramenta poderosa para o dia a dia da gestão. A seguir, as principais aplicações práticas:
1. Direcionamento Estratégico
O valuation obriga os gestores a olharem a empresa “de fora para dentro”, com foco em geração de valor. Ao projetar resultados futuros, é preciso definir premissas realistas sobre crescimento, eficiência operacional e investimento necessário (CAPEX e NIG). Isso ajuda a priorizar iniciativas estratégicas com maior retorno econômico.
2. Gestão Baseada em Valor
Mais do que faturar ou lucrar, o que realmente importa é gerar valor. Uma empresa pode estar crescendo e mesmo assim destruindo valor, se estiver consumindo mais capital do que o retorno gerado. O valuation, ao calcular o fluxo de caixa operacional disponível (FOCF), mostra com clareza se a operação está de fato “rendendo para os acionistas”.
3. Cultura de Métricas Econômicas
Indicadores como NOPAT, ROI, WACC e EVA, comumente usados no processo de valuation, são excelentes guias para decisões operacionais. Eles ajudam a comparar produtos, unidades ou projetos com uma régua clara: retorno sobre o capital investido.
4. Simulação de Cenários
Valuation bem-feito envolve múltiplos cenários (conservador, neutro e otimista). Isso permite entender os impactos financeiros de diferentes decisões estratégicas — como mudar o mix de produtos, acelerar investimentos ou rever políticas de crédito — antes de executá-las.
5. Gestão do Risco
Ao estimar o custo de capital (WACC), o valuation incorpora o risco do negócio e do mercado. Isso força os gestores a entenderem seus “betas”: o que realmente impacta o valor da empresa (ex: dependência de poucos clientes, sazonalidade, câmbio etc.).
Considerações Finais
Valuation não é uma fotografia simples ou uma conta mágica. É um filme, que projeta o futuro com base no passado e no presente. Empresas que usam o valuation apenas quando precisam vender estão perdendo a oportunidade de pilotar o negócio com muito mais precisão. Mais do que saber quanto vale sua empresa, o mais importante é saber o que faz ela valer o que vale — e como fazer ela valer ainda mais.
CAPEX (Capital Expenditure): é o quanto a empresa investe em ativos de longo prazo, como máquinas, equipamentos, instalações ou tecnologia. Em valuation, o CAPEX projeta quanto será necessário investir para sustentar o crescimento futuro.
NIG (Necessidade de Investimento em Giro): também chamado NCG (Necessidade de Capital de Giro) refere-se ao capital que a empresa precisa para operar no dia a dia, como financiar estoques, conceder prazos aos clientes e pagar fornecedores.
NIG = Ativos Operacionais Circulantes − Passivos Operacionais Circulantes
FOCF (Free Operating Cash Flow: é o caixa livre da operação, ou seja, o valor que sobra depois que a empresa fera lucro operacional (NOPAT), reinveste para crescer (CAPEX) e cobre sua necessidade de capital de giro (NIG).
FOCF = NOPAT + Depreciação – CAPEX − NIG
NOPAT (Net Operating Profit After Taxes): é o lucro operacional após impostos, sem considerar os efeitos financeiros. Ele representa a verdadeira performance do negócio.
ROI (Return on Investment): é o retorno sobre o capital investido, ou seja, quanto a empresa está “rendendo” em relação ao que foi colocado para funcionar.
WACC: (Weighted Average Cost of Capital): é o custo médio ponderado de capital, ou seja, a taxa mínima de retorno que o capital investido na empresa precisa gerar.
EVA: O EVA (Valor Econômico Adicionado) é uma métrica que mostra se a empresa está realmente gerando valor para os acionistas. Ou seja: mais do que dar lucro, a empresa precisa gerar retorno acima do custo do capital investido. Importante ressaltar que o capital investido é o capital que está de fato sendo usado para operar o negócio (ativo operacional – passivo operacional).
Fórmula: EVA = NOPAT − (Capital Investido x WACC)
Marcelo Fioravante
Consultor Empresarial






